Preparando-se para uma cirurgia coloretal

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Preparando-se para cirurgia coloretal
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Março foi escolhido para ser o mês da prevenção do câncer de intestino grosso, também chamado carcinoma coloretal, pois envolve a parte final do intestino, que é composto do cólon e do reto.

Você sabe como deve ser a preparação para uma cirurgia de câncer no intestino?



A cirurgia é a parte final de toda uma preparação, que começou algumas semanas ou meses antes, muito semelhante a uma orquestra se preparando para um recital importante. Ao ser diagnosticado com câncer no intestino, o paciente recebe uma avalanche de informações, seja a respeito da própria doença, do prognóstico, ou do planejamento terapêutico mais indicado para sua situação. Uma vez em que se decide pela realização da cirurgia, inicia-se uma série de preparativos, cujo objetivo é aumentar as chances de sucesso do procedimento. Vamos explicar estes preparativos, facilitando sua compreensão.


Primeiro, uma bateria de exames é solicitada, incluindo exames de sangue e de imagem. Estes visam esclarecer o estágio em que se encontra o tumor, ao que denominamos estadiamento. Sem dúvida, é uma das etapas mais importantes em qualquer tratamento oncológico, pois é a partir da definição do estágio que se decide a melhor estratégia terapêutica. Também são realizados exames de sangue, o que inclui hemograma, coagulograma, função renal e glicemia; mas também dosa-se o CEA (antígeno carcinoembrionário), uma proteína que funciona como marcador do tumor e pode estar elevada no sangue de diversos pacientes com câncer de intestino. O CEA será depois também utilizado no acompanhamento do tratamento, por um longo período.


Caso o paciente tenha alguma condição de saúde que também demande atenção, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca ou enfisema pulmonar, recomendamos uma avaliação com médicos especialistas nestas áreas, à fim de ajustar suas medicações para uma cirurgia em breve. Portanto, o cirurgião precisa do auxílio de cardiologistas, endocrinologistas e pneumologistas, para deixar o paciente o mais controlado possível de comorbidades, que possam interferir no resultado cirúrgico.


Tendo estes exames realizados e as avaliações com especialistas, o paciente será consultado pelo anestesista, numa consulta pré-anestésica, preferencialmente na mesma semana da cirurgia. É importante que o anestesista e o cirurgião se conversem, a fim de afinarem alguns detalhes quando ao procedimento, como por exemplo, decidir se o paciente deverá ir para a UTI ou não, logo após a cirurgia.


Pacientes tabagistas devem suspender o fumo no mínimo 30 dias antes de uma cirurgia de grande porte. E aqueles portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica precisam de um condicionamento pulmonar antes de se submeter a uma anestesia geral. Quem nos ajuda nesta etapa são os fisioterapeutas! Existem exercícios específicos para melhor as capacidades respiratórias e fortalecer a musculatura acessória da respiração. Deste modo, esperamos que o paciente consiga ser extubado rapidamente, ainda dentro do centro cirúrgico. O trabalho do fisioterapeuta também é muito importante após a cirurgia, com seu estímulo e exercícios para ajudar a sair da cama e caminhar o mais breve possível, impedindo com isso o desenvolvimento de trombose venosa nos membros inferiores.


O ponto de vista nutricional é também imprescindível, talvez até o pilar mais importante para um bom desfecho operatório. A cicatrização do intestino e da parede abdominal é totalmente dependente de um bom estado nutricional. Muitos pacientes oncológicos tendem a emagrecer, seja por perda de apetite, seja por consumo, ondo o tumor lhe ¨rouba¨ energias, nutrientes e calorias. A revesão deste estado catabólico e a prevenção de maiores perdas são a pedra fundamental para evitar complicações cirúrgicas, como abertura de pontos e infecções. Existem diversas suplementações disponíveis no mercado, sendo que a mais específica para cirurgias intestinais envolve suplementos que atuam na modulação imunológica do trato digestivo.


Por fim, um assunto muito controverso entre cirurgiões e muito perguntado pelos pacientes: deve-se fazer um preparo mecânico do intestino? Como regra geral a resposta é não. Até não muito pouco tempo, recomendava-se o uso de laxativos por via oral, combinados ou não a antibióticos, com o intuito de deixar o intestino limpo, evitando-se contaminações com conteúdo fecal durante a cirurgia. Hoje entendemos que preparos deste tipo não são necessários e, por outro lado, são desaconselhados, pois provocam diarréia, depletando e desidratando o paciente. O intestino pode ficar muito bem limpo com uma dieta específica, iniciada 5 a 7 dias antes da cirurgia, com o consumo de alimentos que produzam muito pouco resíduos. Antes que você pense que é composta de alimentos nada palatáveis, não se engane, pois é composta de leite desnatado, pão branco, peixes, frango e algumas frutas, desde que sem casca e cozidas.


Um dia antes da cirurgia o paciente deve iniciar profilaxia para trombose venosa, com a injeção na noite anterior de uma dose subcutânea de heparina de baixo peso molecular, que será continuada no pós-operatório. Quando a cirurgia envolve o reto, o paciente também precisa utilizar um fosfoenema por via retal, na noite anterior e na manhã da cirurgia, garantindo assim uma limpeza da parte final do intestino.


Viu só quanta coisa o paciente e seu médico precisam se preocupar, a fim de prepararem-se para uma cirurgia? Vale lembrar que tudo isso só é possível, em todas suas etapas, quando o procedimento é realizado em caráter eletivo, ou seja, agendado previamente. Em cirurgias de emergência ou urgência não há tempo para toda essa preparação, infelizmente.


Se você ainda tem alguma dúvida sobre o assunto, agende uma consulta conosco, será uma satisfação orientá-los e elucidar pessoalmente todos estes pontos.

O Centro de Oncologia do Paraná conta com equipe completa na área de saúde, além de médicos, para acolhê-los e acompanhá-los em todas as etapas do tratamento.

Referências:

Kehlet H, Wilmore DW. Evidence-based surgical care and the evolution of fast-track surgery. Ann Surg 2008; 248:189.


Pearsall E, McCluskey S, Aarts MA, McLeod R. Enhanced Recovery after Surgery: ERAS for All - A Clinical Practice Guideline developed by the University of Toronto’s Best Practice in Surgery. September 2017.


Carmichael JC, Keller SD, Baldini D, et al. Clinical practice guidelines for Enhanced Recovery After Colon and Rectal Surgery from the American Society of Colon and Rectal Surgeons and Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons. Dis Colon & Rectum 2017; 60 (8): 761 - 84.


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