Câncer colorretal: como são as cirurgias ?

Atualizado: Jan 5

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As cirurgias devem ser realizadas após um adequado preparo pré-operatório e podem ser feitas com muita segurança por laparoscopia; além diso, é importante que o paciente esteja ciente da possibilidade de ter de usar, temporariamente, uma bolsa de colostomia.


O câncer colorretal abrange os tumores que se desenvolvem nos segmentos do intestino grosso chamados cólon e reto, que são as partes finais do trato gastro-intestinal. Também é chamado, de um modo geral, de câncer de intestino, essa condição é a terceira causa de morte por câncer no Brasil, afetando homens e mulheres em proporções semelhantes, especialmente entre os 50 e 70 anos. Os tumores do intestino delgado (intestino ¨fino¨), por sua vez, são muito menos comuns.

O diagnóstico é feito, basicamente, por exame endoscópico, em que o paciente realiza uma colonoscopia com biópsia da lesão suspeita. Idealmente, o tratamento deve ser planejado após o laudo desta biópsia, confirmando a malignidade da lesão. Nesta fase, são realizados exames para estadiamento do câncer, com tomografias de tórax, abdômen e pelve (algumas vezes com Ressonância Magnética ou PET-CT), bem como exames de sangue (incluindo os marcadores tumorais CEA, CA 125 e, algumas vezes, Ca 19-9). Em alguns casos, o paciente não é operado de imediato. Situações em que há disseminação tumoral para outros órgãos (metástase), como o fígado, mas o tumor não provoca obstrução intestinal nem sangramento importante, pode-se fazer uma abordagem reversa (iniciando com tratamento sistêmico – quimioterapia, imunoterapia – e operando depois).

Caso opte-se por cirurgia, o paciente deve passar por um preparo, a menos que a cirurgia seja realizada em caráter de urgência. Este preparo inclui avaliação por outros profissionais de saúde, que avaliam, inicialmente, o status nutricional. Caso seja necessário, o paciente deve receber suplementação protéico-calórica antes de operar. Da mesma forma, o status da musculatura, especialmente envolvendo componentes respiratórios, é importante, sendo indicado treinamento com Fisioterapeuta à fim de evitar complicações ventilatórios durante e após a cirurgia (como pneumonia ou dependência de ventilação mecânica). Estes cuidados visam melhorar as condições cirúrgicas globais do paciente, de modo que possa tolerar o procedimento, minimizando as chances de complicações.

Tumores muito pequenos, em fase de pólipo, com envolvimento mais superficial, acometendo apenas as camadas mucosa e submucosa do intestino, podem ser bons candidatos para ressecção endoscópica (por colonoscopia). Para tanto, devem ser avaliados por eco-endoscopia (melhor exame para avaliar invasão milimétrica nas camadas intestinais e presença de linfonodos aumentados ao redor da lesão). Este tipo de ressecção, chamado mucosectomia, é realizada por endoscopistas experientes e em ambiente hospitalar, com o paciente internado, devido a risco de perfuração.

Tumores maiores devem ser abordados por cirurgia tradicional, com ressecção de partes do intestino, denominadas hemicolectomia direita ou esquerda e retosigmoidectomia, dependendo da localização do tumor. Estes procedimentos podem ser feitos por via convencional (laparotomia) e minimamente invasiva, ou seja, vídeo-assistida (laparoscopia ou cirurgia robótica). Nos casos de ressecção por vídeo, muitas vezes é realizada a marcação do tumor através de uma tatuagem com nanquim, através da colonoscopia (exceto para tumores retais baixos). Esta marcação auxilia o cirurgião na sua identificação e determinação das margens de ressecção durante a cirurgia.

Após a retirada da peça, deve-se recompor a continuidade do trajeto intestinal, em que as extremidades remanescentes do intestino são unidas, é o que chamamos ¨anastomose¨. Novamente, pode ser feito por via convencional ou por vídeo-cirurgia. Algumas vezes essa reconstrução imediata não é possível, ou é realizada mas existe risco de abertura dos pontos (com a formação de fístula). Nestes casos faz-se um desvio do intestino, anteriormente à anastomose, para protegê-la, o que pode ser realizado com o próprio cólon (colostomia) ou com o intestino delgado (ileostomia). É a famosa ¨bolsinha¨, que os pacientes tanto temem. Na maioria dos casos ele é temporária, ou seja, após determinado tempo o cirurgião opera novamente, para retirá-la.

Quanto aos cuidados pós-operatórios, dependem muito do porte da cirurgia, da via de acesso e do estado geral do paciente. Assim, em alguns casos, os doentes são encaminhados à UTI para cuidados intensivos, em outros recupera-se no quarto. A dieta é reintroduzida o mais breve possível, algumas vezes até no mesmo dia da cirurgia. Porém, em algumas situações, deve permanecer em jejum por período mais prolongado, sendo substituída por alimentação endovenosa (que chamamos de NPT – nutrição parenteral total). Em condições ideais, espera-se que após a cirurgia o trânsito intestinal se restabeleça plenamente e que o paciente consiga comer por via oral, eliminar flatos e evacuar normalmente, estes são os melhores sinais de cicatrização da anastomose e ausência de complicações graves.

Diversos outros detalhes estão envolvidos em cirurgias coloretais, como uso de botas pneumáticas de compressão intermitente (que impedem formação de coágulos nas pernas durante a cirurgia), profilaxia medicamentosa para tromboembolismo pulmonar, uso de drenos na cavidade abdominal, antibióticos, suporte fisioterápico, nutricional e psicológico (especialmente em pacientes ostomizados).

Após a cirurgia, é comum que se iniciem outras etapas do tratamento, como quimioterapia e radioterapia, dependendo do caso, visando a diminuição das chances de retorno do tumor ou da ocorrência de metástases.

Para saber mais sobre a melhor indicação de cirurgia para o seu caso, ou do seu familiar, agende uma consulta conosco. O nosso trabalho é bem atende-lo, orientá-lo, esclarecer suas dúvidas e ajudá-lo, de maneira integral, a superar este momento tão difícil que é o diagnóstico de câncer.

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Referências:

https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-intestino


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