Tipos de cirurgias oncológicas

Atualizado: 3 de Dez de 2020

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Os procedimentos cirúrgicos podem ser realizados com diversos objetivos em um tratamento oncológico especializado


A cirurgia é uma das principais formas de diagnosticar um câncer e, mais do que isso, um pilar fundamental para o tratamento oncológico eficaz. A indicação da cirurgia depende de vários fatores, tais como a localização do tumor, o tipo histológico e as condições clínicas do paciente. Baseado nisso, um procedimento pode ser realizado com finalidade de diagnóstico, estadiamento, tratamento completo ou com objetivo de reduzir sintomas, como ascite, dor e o desconforto causado pela doença.

Conheça abaixo os tipos de cirurgias realizadas em Oncologia e entenda um pouco mais sobre o assunto:


Diagnóstico do Câncer

Conhecida popularmente como biópsia, a cirurgia é realizada com objetivo diagnóstico e é indicada para demonstrar se o paciente realmente possui um tumor. Neste procedimento é retirada apenas uma amostra do tecido suspeito, que será encaminhada para estudo anatomo-patológico. Essa é uma etapa muito importante, pois só assim a equipe médica pode saber o tipo e subtipo da lesão. Uma vez confirmado o câncer, ele é classificado adequadamente, o que permite planejar a melhor estratégia de tratamento. Um exemplo, são as biópsias de sarcomas de partes moles e de melanomas, que antecedem a cirurgia definitiva.

Estadiamento do Câncer

Algumas cirurgias são realizadas com a finalidade de determinar a extesão da disseminação do tumor em uma cavidade do corpo, com tórax e abdômen. São as chamadas cirurgias de estadiamento. Este é um termo corrente que significa classificar o câncer de acordo com seu estágio. Diversos fatores entram nessa classificação, como o tamanho do tumor, a invasão de gânglios linfáticos e órgãos ao seu redor e à distância (como fígado e peritôneo). O estadiamento segue as etapas do TNM (tamanho, linfonodos, metástasre), descritas para cada neoplasia no manual do NCCN1 – National Comprehensive Cancer Network. Um exemplo, são as video-laparoscopias para estadiamento tumoral na cavidade abdominal.

Cirurgias de tratamento de um câncer

Existem diferentes tipos de cirurgias para o tratamento de um tumor, dependendo do órgão em que teve seu início, do tipo histológico e do estadiamento. Estes fatores orientam como a cirurgia será realizada, sendo que as condiçõs clínicas do paciente, neste momento, são fundamentais para a decisão do cirurgião.

Cirurgia Curativa

Muitas vezes esta pode ser a principal modalidade do tratamento, no entanto geralmente é associada a outras opçõs terapêuticas, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia. Basicamente é realizada quando todo o tumor pode ser removido com segurança do organismo do paciente.

Cirurgia para remover parte do tumor

Algumas vezes só é possível remover uma parte do câncer. Isso ocorre quando a neoplasia invade tecidos cuja retirada e incompatível com a vida ou provoca uma morbidade inaceitável para o paciente. Assim, busca remover a maior parte do tumor possível (em inglês, debulking), visando reduzir a carga tumoral 2. Em algumas situações, pode-se realizar um tratamento complementar (adjuvante) com radioterapia e quimioterapia, ainda com intensão curativa.

Cirurgia Paliativa

É indicada para diminuir sintomas causados diretamente pelo tumor. Ela não tem por objetivo a cura da doença, mas amenizar o desconforto ou a incapacidade por ela provocada. Como exemplos, citamos procedimentos para fornecer uma via alimentar alternativa (gastrostomia, jejunostomia), drenagens de coleções líquidas (toracocentese, paracentese) ou derivações intestinais para resolver obstruções do trato digestivo (anastomose gastro-jejunal, ileostomia, colostomia).

Cirurgia de suporte

Não é indicada para a cura da doença, mas como etapa adicional no contexto de outros tratamentos, como a instalação de cateter de longa permanência, que é utilizado para realização de quimioterapia.

Cirurgia de reconstrução

Compõem diversas técnicas realizadas para melhorar a aparência estética e/ou restaurar funções de órgãos afetados após uma cirurgia oncológica agressiva ou mutiladora. O melhor exemplo é a reconstrução mamária após mastectomias e retalhos cutâneos após a retirada de cânceres de pele.

Cirurgia Preventiva (Profilática)

Utilizada para remoção de órgãos que não estão necessariamente doentes ou que têm câncer, mas que apresentam elevado risco para seu desenvolvimento, ao longo dos anos. Quase sempre estes pacientes apresentam síndromes genéticas conhecidas, apesar de pouco frequentes, baseado em seu histórico familiar 3. Como exemplo, podemos citar algumas síndromes polipóides intestinais (PAF – polipose adenomatosa familiar), mutações genéticas em câncer gástrico (gene CDH1) e de mama (dos genes BRCA1 e BRCA2). Nestas situações, é recomendado ao paciente realizar colectomia total, gastrectomia total e mastectomia radical bilateral, respectivamente.

Referências:

1 - https://www.nccn.org/professionals/physician_gls/

2 Schorge JO, McCann C, Del Carmen MG. Surgical debulking of ovarian cancer: what difference does it make?. Rev Obstet Gynecol. 2010;3(3):111-117. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3046749/

3 - Campos ECR, et al. Síndrome do câncer gástrico hereditário difuso: abordagem cirúrgica radical laparoscópica associada a mutação rara do gene CDH1. ABCD, 2015 (28) 2: 149-151. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-67202015000200149&lng=en&nrm=iso

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